Sórbio
Sórbio (sorábio é outra denominação, como também lusaciano, e na própria língua: serbja) é uma língua da família indo-européia que pertence ao grupo eslavo. Língua dos antigos eslavos do rio Elba estabelecidos no leste da Alemanha no século VI, é falado ainda hoje na Lusácia, província histórica situada nos atuais estados (Länder) da Saxônia e de Brandemburgo, por pelo menos 60.000 pessoas (sórbios). | |||||||||||||||||||||||||
| Sórbio (Serbja) | |
|---|---|
| Falado em: | Alemanha |
| Total falantes: | 60.000 a 150.000 |
| Posição: | -- |
| Genética classificação: |
Indo-europeia |
| Estatuto Oficial | |
| Língua oficial de: | |
| Regulado por: | -- |
| Código de Línguas | |
| ISO 639-2: (T): | wen |
| SIL: | WEN - Alto Sórbio |
| SIL: | WEE - Baixo Sórbio |
Os textos mais antigos existentes em sórbio são do século XVI, mesmo havendo evidências fragmentadas de séculos anteriores na forma de palavras, frases e sentenças curtas em documentos latinos e alemães. Um desses documentos é a “Crônica” do Bispo Thietmar de Merseburg, escrita em 1012-1018. O primeiro texto sórbio é o “Juramento de Bautzen Burghers” (1532), uma forma pela qual os cidadãos de Bautzen juravam lealdade ao rei e às autoridades locais.
O primeiro livro em sórbio é um catecismo e hinário em baixo sórbio de 1574; em alto sórbio o primeiro livro impresso é também outro catecismo traduzido e publicado em 1595. Um manuscrito do Novo Testamento traduzido do alemão para o sórbio por Miklaws Jakubica em 1548, está no dialeto que se falou a leste do rio Neisse (Nysa em polonês), na vizinha Sorau (Żary em polonês).
Durante o século XVII aparecem três gramáticas sórbias mas apenas uma foi impressa; tratava-se da Principia linguae wendicae quam aliqui wandalican vocant de Jacobus Xaverius Ticinus, baseada no dialeto setentrional de Wittchenau. Mas a principal esfera de atividade literária da língua antes do século XIX foram as igrejas, no que a tradução da Bíblia teve um papel determinante em seu desenvolvimento.
A impressão da Bíblia em alto sórbio pelos luteranos começa com a aparição em 1670 da tradução impressa dos Evangelhos de Mateus e Marcos por Michal Frencel, ao que se seguiu a impressão de todo o Novo Testamento em 1706, um ano após a morte de Frencel. Frencel escreveu no dialeto de Bautzen, um sub-dialeto falado ao sul desta cidade. Em 1703 os Estados da Alta Lusácia estabeleceram um comitê para traduzir a Bíblia usando uma variante literária amplamente baseada na região de Bautzen. Esta tradução foi publicada em 1728 e estabeleceu esta variante da língua como a normativa para os luteranos. Sucessos de similar importância foram as publicações em baixo sórbio da tradução do Novo Testamento de Gottlieb Fabricius e da do Antigo Testamento feita por Friedrich Fryco, de 1796 em Cottbus. Essas traduções estabeleceram o dialeto de Cottbus como a base da língua literária em baixo sórbio.
A língua normativa alto sórbio para os católicos durante o século XVII estava baseada no dialeto de Wittchenau. A especial influência desta pequena cidade, situada a 7 km ao sul de Hoyerswerda, deve-se provavelmente ao fato de que possuía uma escola de gramática da qual podiam sair clérigos influentes. Nessa cidade nasceu Jurij Hawstyn Swetlik (1650-1729), que entre 1688 e 1707 traduziu toda a Vulgata para a língua literária baseada neste mesmo dialeto, mesmo nunca tendo sido publicada. Não obstante, como resultado deste trabalho, publicou-se seu Vocabularium Latino-Serbicum (Bautzen, 1721), o primeiro dicionário sórbio. Em meados do século XVIII os católicos sórbios de Crostwitz passaram a ter uma forte influência nos círculos governantes da hierarquia católica e a língua literária para os católicos pode-se estabelecer a partir de 1750 baseada no dialeto de Crostwitz.
A língua sórbia não possui limites precisos e definidos, nem naturais nem de outra categoria. No século X a população de língua sórbia se fixou na região entre os rios Saale (a oeste) e Bober e Queis (a leste); no norte se extendia desde onde hoje estão Berlim e Frankfurt; no sul estava limitada por Erzgebirge e Lasitzer Gebirge. As línguas vizinhas eram o polábio ao norte, o polonês a leste, o tcheco ao sul e o alemão a oeste. Portanto, o sórbio era falado numa região que se extendia a leste desde o rio Neisse no que hoje é território polonês e incluia, a oeste, as terras onde posteriormente apareceram as cidades de Halle, Leipzig, Zwickau e Chemnitz.
No decorrer dos séculos posteriores o território de língua sórbia se contraiu progressivamente até chegar ao século XIX, onde se estabelece a zona que atualmente delimita a língua sórbia, com seu limite setentrional a uns 80 km a sudeste de Berlim. O limite meridional está a menos de 8 km da República Tcheca. A população rural, desde o princípio do século XX foi predominantemente falante de sórbio, enquanto as cidades principais da região (Cottbus, Spremberg e Bautzen) foram sempre de língua alemã desde que foram fundadas na Idade Média.
A região habitada pelos sórbios constituiu antigamente os margrávios (províncias fronteiriças) da Alta Lusácia e Baixa Lusácia, sendo por isso o sórbio também conhecido como lusaciano. Em alemão o termo mais comum até a Segunda Guerra Mundial foi wendisch, mas sorbisch também se usou. Após a guerra apenas a forma sorbisch foi usada oficialmente e agora é dominante, enquanto o termo wendisch foi resgatado na Baixa Lusácia a partir de 1991. O adjetivo equivalente tanto no alto quanto no baixo sórbio é serbski.
Muito antes do século XIX a região falante de sórbio havia se convertido numa ilha rodeada de falantes de alemão e isolada do tcheco e do polonês. Desse século em diante a população falante de sórbio tem sido progressivamente diluída pela imigração alemã, pela emigração sórbia e a tendência dos sórbios de preferir o alemão ao sórbio. Atualmente a região é de língua predominantemente alemã, o que não quer dizer que o sórbio esteja morrendo; há um enclave geográfico formado por 40 localidades a noroeste de Bautzen que são principalmente católicos e que formam uma comunidade fechada falante de sórbio. Este é o núcleo de uma população esparsa de sórbios por toda a Lusácia.
Atualmente se calcula o número oficial de falantes de sórbio na Alemanha em cerca de 60.000 pessoas, dos quais mais da metade são luteranos, a quarta parte são católicos e os demais não possuem denominação confessional. Todos são bilíngües em alemão.
A Constituição alemã garante e apóia os direitos culturais dos sórbios. Existe um jornal em alto sórbio (Serbske Nowiny) e uma revista semanal em baixo sórbio (Nowy Casnik), que sobrevivem graças a subsídios estatais.
Um papel central na manutenção da língua sórbia têm as Igreja Católicas e Luteranas. A missa é conduzida em sórbio nas paróquias católicas e os serviços luteranos também se realizam em sórbio, ainda que com menos freqüência.
Há estimativas que pregam que o total de falantes de sórbio atingiria 150.000 pessoas.
Como já mencionado nos textos anteriores, existem duas formas dialetais: o Alto Sórbio e o Baixo Sórbio, cada uma delas com sua forma normativa literária.
Há três gêneros e três números; o duplo é preservado nos substantivos, pronomes e verbos. A ordem da oração é sujeito, verbo e predicado.
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