Romantismo
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O Romantismo foi um movimento artístico e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que perdurou durante grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo que marcou o período neoclássico e buscou um nacionalismo que aparentemente se perdera. Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o Romantismo toma mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideiais utópicos. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo Iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo romantismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu.
Alguns autores neoclássicos já nutriam um sentimento mais tarde dito romântico antes de seu surgimento de fato, sendo assim chamados pré-românticos. Nesta classificação encaixam-se Francisco Goya e Bocage.
O Romantismo surge inicialmente naquela que futuramente seria a Alemanha (tendo o movimento, inclusive, fundamental importância na unificação germânica) com o movimento Sturm und Drang e na Inglaterra.
O Romantismo viria a se manifestar de formas bastante variadas nas diferentes artes e marcará sobretudo a literatura e a música (embora ele só venha a se manifestar realmente aqui mais tarde do que em outras artes). À medida que a escola foi sendo explorada foram surgindo críticos à sua demasiada idealização da realidade. Destes críticos surgiu o movimento que daria forma ao Realismo.
Segundo Giulio Carlo Argan na sua obra Arte moderna, o Romantismo e o neoclassicismo são simplesmente duas faces de uma mesma moeda. Enquanto o neoclássico busca um ideal sublime, objetivando o mundo, o romântico faz o mesmo, embora tenda a subjetivar o mundo exterior. Os dois movimentos estão interligados, portanto, pela idealização da realidade (mesmo que com resultados diversos).
As primeiras manifestações românticas na pintura ocorreram quando Francisco Goya passa a pintar depois de começar a perder a visão. Um quadro de temática neoclássica como Saturno devorando seus filhos, por exemplo, apresenta uma série de emoções para o espectador que o fazem se sentir inseguro e angustiado. Goya cria um jogo de luz-e-sombra de forma a acentuar a situação dramática representada.
Apesar de Goya ter sido um acadêmico, o Romantismo somente chegaria à Academia mais tarde.
O francês Eugène Delacroix é considerado o pintor romântico por excelência. Sua tela A Liberdade guiando o povo reúne o vigor e o ideal românticos em uma obra que estrutura-se em um turbilhão de formas. O tema são os revolucionários de 1830 guiados pelo espírito da Liberdade (retratados aqui por uma mulher carregando a bandeira da França). O artista coloca-se metaforicamente como um revolucionário ao se retratar em um personagem da turba, apesar de olhar com uma certa reserva para os acontecimentos (refletindo a influência burguesa no romantismo). Esta é provavelmente a obra romântica mais conhecida.
A busca pelo exótico, pelo inóspito e pelo selvagem formaria outra característica fundamental do Romantismo. Exaltavam-se as sensações extremas, os paraísos artificiais, a natureza em seu aspecto mais bruto. Lançar-se em "aventuras" ao embarcar em navios com destino aos pólos, por exemplo, tornou-se uma forma de inspiração para alguns artistas. O pintor inglês William Turner refletiu este espírito em obras como Mar em tempestade onde o retrato de um fenômeno da Natureza é usado como forma de atingir os sentimentos supracitados.
O Romantismo surge na literatura quando o escritor troca o mecenato aristocrático pelo editor, precisando assim cativar um público leitor. Esse público estará entre os pequenos burgueses, que não compreende os valores literários clássicos e aprecia mais a emoção que a sutileza.
Bocage concretiza a fase final e insanável do conflito entre o Arcadismo e o Romantismo entre dependência relativamente às instituições feudais absolutistas e relativamente ao público editorial: “a poesia desce do salão a praça”. Enquanto na Inglaterra essa mudança é mais uma transição vindo desde Shakespeare, na França há clara ruptura.
Tendo o liberalismo como referência ideológica, o Romantismo renega as formas rígidas da literatura, como versos de métrica exata. O romance se torna o gênero narrativo preferencial, em oposição a epopéia. É a superação da Poética, tão valorizada pelos clássicos.
Os aspectos fundamentais da temática romântica são o historicismo e o individualismo. O historicismo está representado nas obras de Walter Scott (Ingalterra), Vitor Hugo (França), Almeida Garrett (Portugal), José de Alencar (Brasil), entre tantos outros. São resgates históricos apaixonados e saudosos.
O individualismo traz consigo o culto do egocentrismo e da auto análise, melancolia e pessimismo (mal do século). O movimento mais importante dessa corrente - e fundador do romantismo na Europa - é chamado Sturm und Drang (literalmente, tempestade e ímpeto), que teve o poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe como seu mais famoso representante.
Goethe publica Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), obra de intensa subjetividade a respeito de um amor impossível para seu protagonista (Werther), e causa uma tal comoção à sua época que uma onda de suicídios entre jovens é atribuída à leitura do volume.
O alemão Wagner foi o principal nome da música rômantica. Sem esquecer de Mendelssohn, Brahms, Liszt, Mussorgski, Schubert, Schumann, Strauss, Tchaikovsky, Chopin e outros.
Teve como marco inicial a publicação do poema "Camões", de Almeida Garret, em 1825, e durou cerca de 40 anos terminando por volta de 1865 com a Questão Coimbrã.
A literatura romântica inicia-se oficialmente no Brasil em 1836 com a publicação na França da Nictheroy - revista brasiliense, por Gonçalves de Magalhães. Este lança no mesmo ano a obra Suspiros poéticos e saudades. O romantismo inicia-se no Brasil, portanto, já distante das primeiras experiências européias, em um momento em que o movimento começará a entrar em decadência neste continente.
No país, entretanto, ele perdurará até a década de 1880. Com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, por Machado de Assis, em 1881, ocorre formalmente a passagem para o período realista.
Didaticamente divide-se a produção literária romântica brasileira em três gerações, que coincidem com as existentes em outros países:
Apesar da produção literária ser predominantemente romântica, vive-se no país neste período um grande incentivo ao academicismo e ao neoclassicismo. O neoclássico é o estilo oficial do Império recém-proclamado e o grande centro das artes no país é a Escola Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, lar do neoclassicismo no Brasil, sob influência direta da Missão francesa trazida pelo Príncipe-Regente D. João VI.
Apesar disso, alguns artistas assumem característica românticas ao produzir obras com temáticas indigenistas e idealizadas ao gosto romântico.
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