Giuseppe Garibaldi






Giuseppe Garibaldi (4 de Julho de 1807 - 2 de Junho de 1882) foi um guerrilheiro italiano, alcunhado de "herói de dois mundos" devido a sua participação em conflitos na Itália e na América do Sul. Uma das mais notáveis figuras da unificação italiana, ao lado de Giuseppe Mazzini e do Conde de Cavour, Garibaldi dedicou sua vida à luta contra a tirania. Nasceu em Nizza (hoje Nice, na França) então parte do reino da Sardenha-Piemonte. Após participar de um levante frustrado na Itália e ser condenado à morte, fugiu para a América do Sul.
Revolução Farroupilha
No Brasil, aproximou-se dos republicanos que haviam proclamado a República Riograndense (11 de setembro de 1835), no Rio Grande do Sul e tornou-se uma figura importante na Guerra dos Farrapos, ou Revolução Farroupillha, na qual os republicanos do sul combateram o Império do Brasil. Ao lado do general Davi Canabarro, tomou o porto de Laguna, em Santa Catarina, onde foi proclamada a República Catarinense (República Juliana). A marinha da jovem República Riograndense estava bloqueada na lagoa dos Patos, pois as forças imperiais dominavam a cidade de Rio Grande, na saída da lagoa para o mar. Para levar as forças republicanas até a cidade de Laguna, Garibaldi levou seus dois barcos através de um trecho de 86 quilômetros de terra, utilizando enormes carretas puxadas por duzentos bois. Em Laguna, Garibaldi conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, conhecida depois como Anita Garibaldi com quem se casaria e que se tornaria sua companheira de lutas na América do Sul e depois na Itália. Quando, após quase uma década de luta, ficou evidente que a República Riograndense estava condenada a desaparecer, o presidente Bento Gonçalves dispensou Garibaldi de suas funções, e ele então mudou-se para Montevidéu, no Uruguai, com Anita e seu filho Menotti, nascido em Mostardas, no litoral sul do estado do Rio Grande do Sul.
Uruguai
No Uruguai, em 1842 foi nomeado capitão da frota uruguaia em sua luta contra o ditador argentino Juan Manuel de Rosas. No ano seguinte, durante a defesa de Montevidéu, organizou a Legião Italiana, cujos membros foram os primeiros “camisas vermelhas”. A Legião foi essencial para evitar a tomada de Montevidéu pelos argentinos.
Retorno à Itália
Garibaldi regressou à Itália em 1848 para lutar na Lombardia contra o exército austríaco e iniciar a luta pela unificação italiana. Sua tentativa de expulsar os austríacos fracassou e teve que refugiar-se primeiro na Suíça e depois em Nice, atualmente na França. Ao final de 1848, o papa Pio IX, temendo as forças liberais, abandonou Roma, para onde foi Garibaldi junto com um grupo de voluntários. Em fevereiro de 1849 foi eleito deputado republicano na assembléia constituinte da República Romana. Em abril, enfrentou um exército francês que tentava restabelecer a autoridade papal. Em maio, um exército napolitano juntou-se aos franceses.
A fuga de Roma e a morte de Anita
Ainda que não tivesse opção alguma para evitar a queda da cidade, sua luta se converteu em uma das mais épicas passagens do Risorgimento. Em 1º de julho Roma finalmente caiu. Quando a assembléia da República Romana decretou o fim da luta frente aos franceses, Garibaldi recusou o salvo-conduto que foi oferecido a ele e a sua família pelo embaixador americano, e preferiu continuar a luta: “A sorte, que hoje nos traiu, sorrirá para nós amanhã. Estou saindo de Roma. Aqueles que quiserem continuar a guerra contra o estrangeiro, venham comigo. Não ofereço pagamento, quartel ou comida. Ofereço somente fome, sede, marchas forçadas, batalhas e morte. Os que amam este país com seu coração, e não com seus lábios apenas, sigam-me.” (1) Seguiram-lhe 3.900 soldados (800 deles a cavalo). À sua caça, três exércitos (franceses, espanhóis e napolitanos) com 40 mil soldados. Ao norte lhe esperava o exército austríaco com 15 mil soldados. Na fuga, sua esposa Anita Garibaldi, conhecida com o Heroína dos Dois Mundos, faleceu em 4 de agosto de 1849, em Mandriole, na Itália. Anita está enterrada no Gianícolo em Roma, onde há um monumento em sua homenagem.
O segundo exílio
Condenado pela segunda vez ao exílio, em 1849, residiu em Tanger, Staten Island (Nova Iorque) e Peru, onde exerceu outra vez seu ofício de capitão de navio mercante.
A segunda Guerra da Independência
Garibaldi voltou à Itália em 1854. Em 1859, participou da Segunda Guerra da Independência. Cavour, primeiro ministro piemontês, o nomeou comandante das forças piemontesas em luta contra os austríacos na Lombardia. Venceu, com seu regimento de 3.000 homens conhecido como os Cacciatori delle Alpi (Caçadores dos Alpes), em Varese e em Como, ambas em maio de 1859, e entrou em Bréscia no mês seguinte, com o que a Lombardia foi anexada ao reino do Piemonte.
A conquista da Sicília
Conseguida a unificação do norte do país, Garibaldi voltou sua atenção à Itália central. Vítor Emanuel II, rei piemontês, em principio deu o apoio a um ataque contra os territórios papais, mas à última hora o obrigou a abandonar o projeto. Garibaldi aceitou a decisão e se manteve fiel, porém a cessão de Nice e Savóia à França por parte de Cavour e Vítor Emanuel lhe pareceu um ato de traição e decidiu atuar por sua conta. Como ao norte um acordo era impossível, em 5 de maio de 1860 Garibaldi deixa o porto de Gênova com mil soldados (os “camisas vermelhas”) para iniciar a luta pela libertação do sul da Itália. Conquistou então a Sicília e, em setembro, o Reino de Nápoles. A luta terminaria em 26 de outubro de 1860 quando Garibaldi, então governante absoluto do sul da Itália, promove, nas proximidades de Nápoles, o encontro de suas tropas com as do rei Vítor Emanuel, do Piemonte, que se torna o primeiro rei da Itália unificada, em 1861.
O retiro do herói
Garibaldi então recusou o título de nobreza e a pensão vitalícia que o rei lhe ofereceu. Garibaldi, porém, não considerava terminada sua missão, pois Roma continuava fora do Reino da Itália.
Últimas lutas
Em 1866 voltou à luta, para libertar Veneza, ainda sob domínio austríaco. Em 1869 realizou novo ataque aos estados pontifícios, na tentativa de livrá-los do domínio do Papa. Em 3 de novembro suas tropas encontram-se com as de Napoleão II que veio em defesa do Papa. A invasão fracassou e 1600 de seus voluntários foram presos. Em 1870 esteve em sua última campanha. Embora os franceses fossem seus inimigos no passado, lutou ao lado deles na Guerra Franco-Prussiana. Em sinal de gratidão o povo francês o elegeu para a Assembléia Nacional de Bordéus. Em 2 de julho de 1882, aos 74 anos, Giuseppe Garibaldi morreu em sua casinha na ilha de Caprera, onde está enterrado.
Bibliografia
(1) Trevelyan, George Macaulay. Garibaldi’s defence of the Roman Republic. Nova York, Longmans/Green, 1907.
(2) Dumas, Alexandre. Memórias de Garibaldi. Porto Alegre, L&PM, 1999.
(3) Markun, Paulo. Anita Garibaldi: uma heroína brasileira. 4. ed. São Paulo, Senac, 2000.
(4) Os grandes Líderes-Garibaldi. São Paulo, Nova Cultural, 1988.
(5) Sant’Ana, Elma; Stolaruck, André Sant’Ana. A odisséia de Garibaldi no Capivari. Porto Alegre, AGE, 2002.