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Cristianismo
História do Cristianismo

Teologia cristã
Santíssima Trindade:
Deus, o Pai
Cristo, o Filho
O Espírito Santo

A Bíblia:
Antigo Testamento
Novo Testamento
Os Evangelhos
Dez Mandamentos
Beatitudes
Apócrifos

Igrejas Cristãs:
Catolicismo
Igreja Católica Apostólica Romana
Igreja Ortodoxa
Igrejas Protestante

Culto Cristão
Denominações Cristãs
Movimentos Cristãos

Cristianismo é uma religião monoteísta baseada nos ensinamentos de Jesus Cristo, que teria nascido por volta do ano 6 a.C., na cidade de Belém, na Judéia (Palestina) e tem, por livro sagrado, a Bíblia. A sigla a.C. significa "antes de Cristo" e parece paradoxal que o próprio Cristo tenha nascido "seis anos antes de Cristo", mas o paradoxo tem uma explicação racional na entrada a.C.

Principais crenças

Embora existam diferenças entre os cristãos sobre a forma como interpretam certos aspectos da sua religião, é também possível apresentar um conjunto de crenças que são partilhadas pelos mesmos.

Os cristãos acreditam num só Deus que é omnipotente, omnipresente e omnisciente. O seu atributo mais importante, referido várias vezes longo do Novo Testamento, é o amor: Deus ama todas as pessoas e estas podem estabelecer uma relação pessoal com ele através da oração. Deus é o criador do mundo e dos seres humanos.

Os cristãos acreditam na Trindade, isto é, que Deus é um ser eterno que existe como três pessoas eternas, distintas e indivisíveis: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Outro ponto fulcral para os cristãos é o da centralidade da figura de Jesus Cristo. Os cristãos reconhecem a importância dos ensinamentos morais de Jesus, entre os quais salientam o amor a Deus e o amor ao próximo, e consideram a sua vida como um exemplo a seguir. Acreditam que ele é o Filho de Deus que veio à Terra libertar os seres humanos do pecado através da sua morte na cruz e da sua ressurreição. Para os cristãos, Jesus foi completamente divino e completamente humano. A fé em Jesus Cristo proporciona aos seres humanos a salvação e a vida eterna (embora para outros cristãos as obras são igualmente determinantes).

Os cristãos acreditam na Igreja, entendida como a comunidade de todos os cristãos e como corpo místico presente na Terra.

História

Segundo a religião judaica, o Messias, um descendente do Rei Davi, iria um dia aparecer e restaurar o Reino de Israel.

Jesus Cristo, um judeu, começou a pregar uma nova doutrina e atrair seguidores, sendo aclamado como o Messias, mas não foi reconhecido como tal pela unanimidade dos seus concidadãos. Não terá sido o primeiro nem o último a afirmar-se como Messias. A religião judaica conhece uma longa lista de indivíduos que declararam ser o Messias, que chega mesmo até ao século XX. Nenhum deles, todavia, provocou impacto histórico e cultural semelhante ao de Jesus Cristo.

Jesus Cristo foi rejeitado, tido por apóstata pela autoridades judaicas. Ele foi condenado por blasfémia e executado pelos Romanos por ser um líder rebelde. Seus seguidores enfrentaram dura oposição político-religiosa, tendo sido perseguidos e martirizados, pelos líderes religiosos judeus, e, principalmente, pelo Estado Romano.

Os apóstolos foram os principais testemunhas da vida de Jesus e seus ensinamentos e partiram para pregar a nova mensagem. Paulo de Tarso não se contava entre os apóstolos originais, ele era um zelota judeu que perseguiu inicialmente os primeiros cristãos. No entanto, ele tornou-se depois um cristão e um dos seus maiores, senão mesmo o maior missionário. Boa parte do Novo Testamento foi escrito ou por ele (as epístolas) ou por seus cooperadores (o evangelho de Lucas e os actos dos apóstolos).

Com a morte de Jesus, os apóstolos fundaram aquilo que foi inicialmente uma seita do Judaísmo que mais tarde seria elevada à categoria de religião oficial do Império Romano com a conversão do imperador Constantino I. O Cristianismo credencia a Jesus o título de Filho de Deus. Enquanto que para os judeus o Messias é uma figura humana, os cristãos irão acabar por decidir no Concílio de Nicéia de 325 que se trata de uma figura divina (A questão ariana).

Ainda no decorrer do primeiro século da difusão do cristianismo, quando muitos cristãos passam a viver entre, ou a contactar com não-judeus (gentios), os cristãos decidem pela abolição dos rituais de iniciação existentes no judaísmo, como a circuncisão ou certas regras rígidas na alimentação que os judeus impunham e continuam a impôr. Muitos estudiosos, entre os quais Edward Gibbon, acreditam que o sucesso desta nova religião deve muito a essa simplificação, e que com essa revolução liderada principalmente por Paulo de Tarso, a qual contradizia a tradição judaica, estavam reunidas as condições necessárias para expansão desta nova fé. Principalmente a obrigatoriedade da circuncisão era um factor de detenção para muitos povos gentios. Há até a notícia de povos gentios no território do Império Romano que visitavam as sinagogas judaicas dos seus concidadãos sem no entanto se converterem, tal o apelo da religião judaica e a forte idéia monoteísta. A este propósito escreve Bertrand Russell em "História da filosofia ocidental": "As comunidades cristãs que Paulo (de Tarso) fundou em vários lugares, constituíam-se, sem dúvida, em parte de judeus convertidos, em parte de gentios que aspiravam a uma nova religião. As certezas que lhe são características tornavam a religião judaica particularmente atractiva naquele tempo de esvaimento da crença religiosa; a circuncisão, no entanto, dificultava a conversão dos homens. Também as regras de alimentação eram incômodas. Mesmo que estas barreiras fossem as únicas, elas já eram suficientes para tornar praticamente impossível a disseminação da Religião Hebraica. Através da influência de Paulo, o Cristianismo reteve das doutrinas judaicas apenas aquilo que era atraente, sem adoptar as peculiaridades às quais os gentios não conseguiriam se habituar".

Outros estudiosos atribuem a rápida expansão do cristianismo à uma conjunção de fatores, dentre eles :

* a fuga da perseguição religiosa empreendida inicialmente por judeus conservadores, e posteriormente pelo Estado Romano;
* a natureza da fé cristã que propõe que a mensagem de Deus destina-se a toda a humanidade e não apenas ao seu povo preferido.

Os que pensam desse modo reputam a ruptura com os ritos judaicos como uma consequência da expansão do cristianismo entre os não-judeus, e não como sua causa. A narrativa da perseguição religiosa, da dispersão dela decorrente, da expansão do cristianismo entre não-judeus e da subsequente abolição da obrigatoriedade dos ritos judaicos pode ser lida no livro de Atos dos Apóstolos.

De resto, os cristãos adotam as regras e os princípios do Antigo Testamento, livro sagrado dos Judeus. Também o espírito missionário dos primeiros cristãos é desconhecido no Judaísmo. O Judaísmo é visto como uma religião baseada num código de conduta requerido aos seus praticantes, não tendo o propósito de converter a humanidade como o Cristianismo (católico significa "Universal" em grego) ou o islão.

Nos anos imediatamente a seguir à morte de Cristo, o cristianismo permaneceu "apenas" uma seita do judaismo tal como fariseus, saduceus ou os essênios (os cristãos foram inicialmente conhecidos como "os nazarenos"). Os cristãos eram também judeus. Só mais tarde, quando a religião chega a outras pairagens, se falaria de gentios (cristãos não judeus). Mas gradualmente inicia-se um processo de distinção dos cristãos em relação aos judeus. Após a derrota dos judeus em 70 DC, com a destruição do Segundo Templo e mais de um milhão de vítimas, há uma reunião de sobreviventes em Jebneh, uma cidade nas Planícies de Sharon, perto de Joppa. Esta conferência produziu pelo menos dois resultados importantes. Por um lado, a seita dos Fariseus ganhou importância, tendo conseguido influenciar a legislação que acabou por ser adoptada. Em segundo lugar, a seita dos cristãos (ou nazarenos) decidiu demarcar-se dos restantes judeus. Argumentaram que a derrota era um sinal de Deus de que o fim estaria próximo e decidiram abandonar a luta contra os Romanos, deixando-a para os restantes judeus. Os cristãos dirigiram-se à cidade de Pela, próxima do Rio Jordão, demarcando-se dos restantes judeus, que voltariam a tentar a revolta por intermédio do suposto Messias Bar Cochba, derrotado em 135 DC. (Ver: Revoltas dos Judeus contra a ocupação pelo Império Romano). Nesta terceira e última grande revolta, os cristãos tinham razões acrescidas para não participar. Bar Cochba tinha sido nomeado Messias pelo Rabi Aquiva. Os cristãos achavam e (continuam a defender) que o Messias tinha sido Jesus e não Bar Cochba. Não participaram na revolta.

Em 135 D.C. todos os judeus foram expulsos de Jerusalém, após a derrota do suposto Messias Bar Cochba. O Cristianismo espalhou-se pela Judeia e posteriormente para a Bacia Mediterrânica, Médio Oriente, atingindo a Europa e dali, (mais tarde) a América e a Oceania.

A conversão dos romanos ao cristianismo foi um processo gradual. Uma das dificuldades consistia no facto do "Messias", Jesus Cristo, ter sido executado cruelmente pelos próprios romanos. Os cristãos queriam converter os romanos. Por isso mesmo não podiam deixar passar a ideia de que os romanos tenham sido os assassínos do Messias. Fulcral para a estratégia cristã desta época terá sido a culpabilização dos judeus na morte de Cristo.

É assim que o período em que os cristãos adquirem o controle do Império Romano é quando o cristianismo se torna mais fortemente anti-semita. Até aí, judeus e cristãos eram seitas relacionadas. As primeiras medidas romanas após a conversão ao cristianismo fazem questão de reprimir os judeus. Ver: Concílio de Niceia. A demarcação da origem judaica é desejada. O dia de descanso semanal deixa de ser o Sabado (Shabatt) e é movido para domingo. A celebração da festa judaica de Pessach, coincidente com a Páscoa, é proibida. Tinha sido dado um passo essencial na história do anti-semitismo cristão.

Com a conversão de Constantino I, o primeiro imperador romano a reconhecer a religião cristã, inicialmente perseguida, os cristãos passaram a controlar o centro de poder da Civilização Ocidental. O Império Romano estendia-se desde havia séculos entre a Grã-Bretanha, costa mediterrânica, até ao próximo oriente. O Concílio de Niceia é um marco da adopção do Cristianismo neste imenso território. Se até 325 (a data do concílio) os romanos eram oficialmente politeístas (se bem que a influência do Cristianismo estava em ascendente), a partir de então a Igreja Católica passaria a estar associada ao destino do continente Europeu. Em 380 o Imperador Romano Teodósio I declara o cristianismo a religião oficial do Império Romano. Este cairia em 476, ano da deposição do último imperador romano pelo "bárbaro" germânico Odoacer, mas a religião católica permaneceria triunfante em grande parte da Europa. O Império Romano teve desta forma um papel instrumental na expansão do Cristianismo.

Denominações


Atualmente, existem três grandes ramos da cristandade: o Catolicismo, que agrega o maior número de fiéis, surgido na época do Império Romano, por confronto com a Ortodoxia, da qual se demarcou no início do século XI; e o Protestantismo, que também rompeu com o catolicismo no movimento conhecido por Reforma, no século XVI, e que engloba grande número de movimentos e igrejas distintos.

Existe ainda um quarto ramo, que compreende vários segmentos marginais do Cristianismo, como correntes místicas, a escola Rosacruciana por exemplo, ou formas nativas do cristianismo, como o Cristianismo Celta, ou então o Para-Protestantismo, como os Mórmons.

O Cristianismo é atualmente a religião com maior número de adeptos no mundo.

Em termos puramente objectivos, o Catolicismo não é o ramo mais antigo do cristianismo, ainda que pretenda esse estatuto oficial. Só começa a falar-se de Catolicismo por confronto com a Ortodoxia - este ramo é, em termos de ritos e de práticas, o mais conservador dos três e é geralmente considerado como o mais antigo.

Há duas grandes igrejas ortodoxas - a grega e a russa - que apresentam algumas diferenças entre si, nomeadamente a língua usada na liturgia. Há ainda um terceiro ramo ligado à igreja ortodoxa, a igreja de rito Copta, que surgiu no Norte de África.

Convém ainda referir que uma das igrejas protestantes, a Anglicana, se considera uma igreja católica, e assim se designa a si própria durante a liturgia. Distingue-se, no entanto, daquela que é vulgarmente reconhecida como a Igreja Católica (Católica Romana).

Finalmente, há uma denominação chamada Racionalismo Cristão, que não se baseia na Bíblia e não se considera uma religião. O Racionalismo Cristão é uma filosofia espiritualista, que aceita a lei reencarnação como a única forma da alma poder evoluir espiritualmente.

Concepções religiosas e filosóficas

O Cristianismo prega o amor, a Deus acima de todas as coisas, depois ao próximo como a si próprio. A salvação espiritual é oferecida gratuitamente a quem deseja aceitá-la buscando a Deus na figura de seu filho Jesus e que a busca de Deus é uma experiência transformadora da natureza humana.

Podemos considerar três períodos que definem a concepção e filosofia do Cristianismo:

  1. Cristianismo primitivo: caracterizado por uma heterogeneidade de concepções;
  2. Patrística: ocorrida no período entre os séculos II e VIII, com a transformação da nova religião em uma Igreja oficial do Império Romano por Constantino e a formação de um clero institucionalizado, e cujo doutrinário expoente foi Santo Agostinho;
  3. Escolástica: a partir do século VIII e cujo expoente foi São Tomás de Aquino, que afirmou que fé e razão podem ser conciliadas, sendo a razão um meio de entender a fé.

A partir do protestantismo, é necessário fazer uma diferenciação entre a história e concepção da Igreja Católica Romana e das diversas Igrejas protestantes que se formaram.

O Cristianismo e a queda de Roma

Costuma-se acreditar que, na Europa Ocidental, o esfacelamento do Império Romano trouxe retrocessos em termos econômicos, de conhecimento, e comunicações. Uma questão sociológica muito debatida ao longo da história é a questão de saber se o Cristianismo contribuiu ou não para a queda desse Império. Essa pergunta já recebeu respostas diferentes, por exemplo:

O período histórico que se seguiu à queda do Império é chamado de Idade Média, nele o cristianismo permanece como o maior pólo de influência social dos povos europeus.

Tabela Cronológica

Ver também

A Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Cristianismo.

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Em inglês


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