Cidade






Uma cidade é uma área urbana. A população de uma cidade varia entre as poucas centenas de habitantes até a dezena de milhão de habitantes. Cidades são as áreas mais densamente povoadas do mundo. São Paulo, uma das cidades mais populosas do mundo, com seus 11,5 milhões de habitantes, possui uma densidade populacional de aproximadamente 7,5 mil habitantes por quilômetro quadrado. Enquanto isto, o Brasil, país onde a cidade está localizada, possui apenas 20 hab/km2.
Definição de cidade
O termo "cidade" pode ser usado para designar ou uma área de urbanização contígua (mais corretamente chamado de região metropolitana) ou, mais especificamente, uma única municipalidade. Não há um padrão mundial que define uma cidade. Isto varia de país para país. A Organização das Nações Unidas considera uma área urbana uma cidade quando esta área urbana possui mais de 20 mil habitantes. Na Dinamarca, bastam 250 habitantes para uma comunidade urbana ser considerada uma cidade, e na Islândia, apenas 300 habitantes. Na França, um mínimo de 2 mil habitantes é necessário, e na Espanha, 10 mil habitantes.
A maior municipalidade do mundo, Chongqing, possui aproximadamente o mesmo tamanho do que o estado americano de Indiana, e contém muito mais área rural do que área urbana. Por outro lado, o contrário também acontece. A cidade de Londres propriamente dita possui apenas 8 mil habitantes. Porém, sua região metropolitana, isto é, a área urbanizada, possui mais do que 7.5 milhões de habitantes.
Austrália e Reino Unido
Na Austrália, usa-se a palavra cidade para descrever tanto uma divisão político-administrativa quanto uma área urbana em si. Por exemplo, a Cidade de Sídney (divisão político-administrativa) possui apenas 72 mil habitantes, enquanto que toda a sua região metropolitana possui mais de 3,5 milhões de habitantes. Usando o termo cidade para descrever apenas a unidade político-administrativa, Brisbane é a cidade mais populosa do país, com mais de 950 mil habitantes.
No Reino Unido uma cidade (city) é uma cidade secundária (town) que é conhecida como cidade (city) desde tempos "imemoráveis" (isto é, além do limite da memória ou da tradição, segundo as leis britânicas, anos anteriores a 1189) ou que recebeu o estatuto de cidade através da coroa britânica - normalmente dado segundo tamanho, importância e conexões à realeza. Uma divisão político-administrativa urbana no Reino Unido que recebe o estatuto de cidade através da coroa é conhecido como Cathedral Cities. Algumas destas cidades são muito pequenas, e não são normalmente consideradas cidades.
Brasil
No Brasil, qualquer comunidade urbana com uma sede de município é considerada uma cidade, independente de seu número de habitantes. Esse fato gera distorções na taxa oficial de urbanização porque como vilarejos, que apenas no Brasil são classificados como sendo cidades, tem sua população adicionada na população urbana fazem com que as estatísticas da taxa de urbanização sejam infladas o que explica porque a taxa oficial de urbanização do Brasil é maior que a dos EUA embora a percentagem da população americana que trabalha na agricultura seja 12 vezes menor.
Canadá e Estados Unidos
No Canadá e nos Estados Unidos da América, existem duas definições de cidade, city e town. City é uma cidade propriamente dita, uma cidade primária, enquanto que no Canadá e na maioria dos estados dos Estados Unidos, town é uma cidade de pequeno porte, uma cidade secundária. Porém, em alguns estados dos Estados Unidos, town é uma subdivisão administrativa rural, geralmente, um agrupamento de vilas de pequeno porte. A definição de city e town varia de subdivisão para subdivisão.
O principal critério para uma área urbana receber o estatuto de town e city, no Canadá e em vários estados americanos, é o número de habitantes - que varia de subdivisão para subdivisão. Geralmente, nestas subdivisões, uma vila é elevada ao estatuto de town quando possui uma população entre 500 a 2 500 habitantes, e ao estatuto de city quando possui entre 3 mil a 5 mil habitantes ou mais. Nos estados americanos que usam town como uma subdivisão administrativa rural, geralmente, a população necessária para uma vila ser elevada ao estatuto de city é baixa - entre 300 a 1 500 habitantes.
De fato, muitas comunidades urbanas de apenas 250 a 500 habitantes são categorizadas como cidades nos Estados Unidos. O principal motivo é, durante a expansão americana rumo ao oeste, ao Oceano Pacífico, os fundadores de novas comunidades urbanas nestas áreas escassamente povoadas decidiram nomear estas comunidades de "cidade", prevendo de antemão (às vezes corretamente, às vezes incorretamente) que suas comunidades no futuro tornariam-se grandes cidades. Um exemplo disto é Salt Lake City, a capital e maior cidade do estado americano de Utah, que foi fundada como uma vila de apenas 148 habitantes, já apelidada de "Cidade".
Portugal
Em Portugal, as condições necessárias para que uma localidade tenha o estatuto de cidade (elevado a partir de vila) estão definidas pela lei nº 11/82, de 2 de Junho que, salvo quando há "importantes razões de natureza histórica, cultural e arquitectónica", estabelece que uma povoação só pode ser elevada a cidade se tiver:
- Mais de 8 000 eleitores, em aglomerado populacional contínuo
- Pelo menos metade dos seguintes equipamentos colectivos: Instalações hospitalares com serviço de permanência, farmácias, corporação de bombeiros, casa de espectáculos e centro cultural, museu e biblioteca, instalações de hotelaria, estabelecimento de ensino preparatório e secundário, estabelecimento de ensino pré-primário e infantários, transporte público (urbano e inter-urbano) e/ou parques ou jardins públicos.
Nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, estes requisitos são um pouco atenuados, levando à possibilidade legal de criar cidades mais pequenas e menos bem equipadas.
Em Portugal continental, as cidades têm tipicamente mais de 10,000 habitantes. Mas, como muitas das cidades portuguesas têm este estatuto desde antes (muitas vezes desde muito antes) da aprovação desta lei (1982), e devido à ressalva legal que autoriza excepções à lei quando existem "importantes razões" para isso, existem várias "anomalias", como povoações muito pequenas, com cerca de 3 mil a 4 mil habitantes, que são cidades. Também existem casos de elevação a cidade em violação da lei, particularmente na Madeira, arquipélago onde várias das vilas que mais recentemente passaram a cidade não têm, segundo estudos do Instituto Nacional de Estatística, nem os equipamentos urbanos nem o número de eleitores em urbanização contínua necessários para tal.
O estatuto de cidade não tem valor administrativo. Embora a maior parte das cidades portuguesas sejam sedes de município, há cidades que não o são, e mais de metade dos municípios portugueses têm como sede vilas. Apesar disso, o número de cidades e vilas existentes no território de um determinado município tem influência nas transferências financeiras que esse município recebe da administração central.
O estatuto de cidade tem, no entanto, implicações directas nos símbolos de uma autarquia, seja ela município ou freguesia: os brasões das autarquias com sede em cidades têm coroas murais de 5 torres, e as bandeiras podem ser lisas ou gironadas de 8 partes.
Concepções urbanísticas de cidade
Concepção urbanística tradicional
Uma aproximação linear universal têm sido aceito por um longo tempo, sobre a definição de cidade. Porém, esta aproximação não explica um número de aspectos da vida da cidade, tais como a diversidade entre cidades, novas aproximações e concepções têm sido estudadas. Um novo pensamento nasceu a partir da necessidade de novas aproximações, baseada nas idéias do pós-estruturialismo.
Atualmente, três características são usadas na definição de cidade: o número de habitantes em uma dada área (densidade populacional), conexões urbanas de uma cidade e também um estilo particular de vida. Nenhuma destas características por si só são suficientes para tornar um lugar uma cidade.
Até tempos recentes as cidades eram vistas exclusivamente como parte de uma linha única e linear de desenvolvimento. Começando com a cidade-estado de Atenas, esta aproximação linear colocava cada cidade em algum lugar, e acreditava que era apenas uma questão de tempo para que o próximo estágio de desenvolvimento - que, em tese, estaria já prescrito - fosse alcançado. Para cada estágio um exemplo foi identificado. Passo a passo de Atenas, para então Veneza e Londres, e, atualmente, Los Angeles, cada uma, em seu período máximo de desenvolvimento, era visto como o último e mais avançado estágio de uma cidade pós-modernista. Esta aproximação via a cidade como uma entidade única e estática, que podia ser estudada desconectada de tempo e espaço. Isto leva a estudos teóricos, com poucas conexões com cidades reais. Esta aproximação é ainda muito comum em publicações populares e respeitadas pela comunidade.
Apesar desta grande aceitação popular, esta aproximação tradicional para cidades possui vários problemas. Primeiramente, deixando de lado o "estágio máximo de desenvolvimento", esta aproximação é completamente eurocêntrica. Anteriomente, acreditava-se que toda cidade do mundo podia ser comparada com um estágio do passado da história de uma dada cidade européia. Segundo, não há explicações reais de quando e como as mudanças ocorriam, de como outro estágio na linha de desenvolvimento era alcançado. Terceiro, a visão desconectada de cidades é problemática, implicando que história, cultura e conexões de um lugar não influenciam um lugar, o que torna esta aproximação questionável. Alguns estudiosos acreditam que tal aproximação é necessariamente incompleta. Quarto, a aproximação tradicional falhava em dizer o que é uma cidade e o que não é. Finalmente, a visão de cidade como um corpo único falha em concepções modernas, que acredita que todo lugar possui mais do que uma história e visão. A cidade, segundo a visão de um aristocrata naturalmente irá ser diferente da visão de cidade de um escravo. Aproximações modernas foram desenvolvidas também por causa disto, para distanciar-se da história e visão de cidade aos olhos das poderosas elites urbanas, para uma percepção multidimencional de história.
Concepções modernas
Usando aproximações modernas para cidades, os urbanistas analizam vários assuntos e problemas que acontecem nas áreas urbanas. Esta aproximação focaliza-se principalmente nas conexões urbanas e divisões internas que ajudam a criar um melhor entendimento das dinâmicas das cidades. Usando esta linha de pensamento, é possível entender vários aspectos dos quais a aproximação tradicional não explicava adequadamente.
Um importante aspecto desta linha de pensamento é observar as conexões de uma cidade. Tais conexões permitem a alguém entender o caractero único de um lugar. Ao invés de tratar todas as cidades do mesmo jeito, diferentes lugares são vistos como interconectados através de rotas culturais, comércio, economia ou história. Assim sendo, enquanto que Londres e Tóquio estejam economicamente conectadas através de bolsas de valores, Graz e Estocolmo estão conectadas através da Capital Cultural da Europa.
Estas conexões não apenas conecta, diferentes cidades entre si, porém, bem como uma dada cidade com suas redondezas. Uma cidade não é auto-sustentável. Ela precisa de matéria-prima para abastecer as suas fábricas, de alimentos para alimentar sua população e de conexões comerciais para viabilidade econômica. Tais conexões incluem estradas, rodovias e hidrovias e linhas aéreas.
A concentração de conexões e redes nas cidades podem ser usadas como uma explicação da urbanização. É o acesso à certas redes que atrai pessoas. À medida que várias redes atuam juntas em uma dada área, pessoas juntam-se em cidades. Ao mesmo tempo, esta concentração de pessoas implica na introdução de novas redes, tais como conexões sociais, aumentando a criação de novas possibilidades dentro de cidades. Movimentos de urbanizaçãp social são um resultado direto desta possibilidade de fazer novas conexões. É esta abertura à novas conexões que faz cidades ao mesmo tempo atrativas e a certo grau também imprevisiíveis.
Outro importante aspecto da aproximação moderna de cidade é olhar às divisões internas dentro de uma cidade. Esta diferenciação interna está ligada às conexões externas desta dada cidade. Como lugares de encontros históricos, as cidades são híbridas e heterogêneas. Híbrido porque suas conexões que ligam lugares são bilaterais, envolvendo dar e receber em ambas direções. Heterogêneas por causa do dinamismo das cidades. Novos encontros são processoas em ocorrimento onde relações sociais e diferenças são constantemente negociadas e moldadas, refletindo assim o poder não-igualitário que está envolvido.
Nem as diferenças internas nem as conexões e as redes urbanas de um lugar definem, por sí só, uma cidade. As divisões internas são causadas por ligações externas, enquanto que ao mesmo tempo a abertura de conexões externas abrem a possibilidade de novas divisões sociais. As divisões e as conexões estão relacionadas entre si, e apenas considerando ambos é que esta aproximação moderna de cidade funciona. Imigração ilustra muito bem a relação entre redes externas e divisões internas. As redes concentradas no centro da cidade atraem imigrantes. À medida que eles imigram, os imigrantes trazem consigo suas próprias histórias, trazendo novas redes ou reenforçando redes já existentes. Ao mesmo tempo, as histórias dos imigrantes oferecem oportunidades para identificação ou exclusão.
História
A criação de assentamentos permanentes foi possível graças ao domínio da agricultura e da domesticação de animais para pecuária, há aproximadamente entre 13 a 10 mil anos atrás. As primeiras vilas, chamadas de vilas neolíticas, surgiram há aproximadamente 12 mil anos atrás. A população de algumas delas eventualmente passou a crescer. Mas, seja em uma vila neolítica à uma metrópole conteporânea, para a criação de assentamentos permanentes, e da expansão territorial e populacional destas, necessitam de avanços tecnológicos, organização social e um local adequado para instalação. Todos os três fatores estão firmemente associados entre si.
- ;Tecnologia
Pessoas do neolítico aprenderam a cultivar alimentos e a domesticar animais. Também criaram ferramentas que os auxiliavam nas tarefas do dia-a-dia, como aradores, por exemplo, que, juntamente com os animais domesticados, ajudavam estas pessoas a cultivar uma dada área. Isto fez com que várias comunidades neolíticas passassem a produzir mais alimentos do que eles necessitavam. Como consequência, várias pessoas que anteriomente eram agricultores passaram a trabalhar - e especializar-se - em outras áreas.
Algumas passaram a produzir roupas. Outros passaram a produzir armas e ferramentas. Estas últimas requerem metais, que são encontrados em minas, onde outras pessoas passaram a trabalhar. Avanços tecnológicos influenciaram bastante o desenvolvimento de cidades ao longo da história. Grandes avanços tecnológicos durante Revolução Industrial permitiram a criação de grandes fábricas e ferrovias, que geravam empregos e atraíam grande quantidade de pessoas do campo para as cidades onde as fábricas estvam localizadas. Trens, metrô e carros e vias públicas facilitaram o transporte entre um ponto a outro da cidade.
- ;Organização social
Em qualquer comunidade, certos padrões de comportamento precisam ser cumpridos para o bem-estar e a manutenção da paz e da ordem. Uma pessoa respeitava outros membros da comunidade e esperava em troca ser respeitado. A organização social de povos neolíticos era simples. Cada família cultivava seu alimento e fabricava suas roupas e ferramentas. Líderes não existiam. Os homens ajudavam a combater o inimigo caso fossem atacados. Todos decidiam a punição que devia ser aplicada a um membro que infrigia uma regra da comunidade.
Avanços tecnológicos permitiram que cada vez mais pessoas deixassem de trabalhar na agricultura. Estas pessoas passaram a trabalhar em outras áreas, especializando-se nelas, como artesãos, costureiros e mineiros. Eles trocavam seus produtos entre si, e com fazendeiros em troca de comida, originando assim o comércio. Posteriomente, isto levaria à criação do dinheiro. Eventualmente, pessoas de uma dada vila começaram a comerciar com outras vilas. Outras pessoas tornaram-se soldados, administradores públicos e líderes políticos e religiosos.
O crescimento populacional das vilas neolíticas passou a obrigar a instalação de um governo muncipal, que passaram a responsabilizar-se pelo fornecimento de certos serviços como defesa, comércio organizado e eventos religiosos, por exemplo. Gradualmente, o número de trabalhadores empregados diretamente pela administração da cidade cresceu. Atualmente, estes trabalhadores incluem prefeitos, conselheiros, planejadores urbanos, policiais, bombeiros, catadores de lixo e professores, entre outros.
Historicamente, duas tendências contribuíram para o crescimento populacional das cidades. Uma delas é a urbanização - o gradual crescimento da população em áreas urbanas. A outra é a migração - também chamada de êxodo. Pode ser do campo para a cidade ou de uma cidade para outra. Isto fez com que, gradualmente, a maioria das cidades do mundo passasse a diversificar-se etnicamente, culturalmente, linguisticamente e/ou religiosamente - um processo que é chamado de diversificação cultural, que leva à difusão cultural e ao multiculturalismo. Atualmente, algumas cidades conhecidas pela sua grande população multicultural são Nova Iorque, Toronto, San Francisco, Sydney, Los Angeles.
- ;Local adequado para instalação
A geografia do local onde uma dada comunidade permanente está localizada também é importante. Aspectos geográficos incluem a geografia do terreno onde a comunidade esá localizada, o clima da região, e a disponibilidade de água potável para consumo humano.
Nas vilas neolíticas e nas primeiras cidades, a fertilidade do solo era importante, para o cultivo de alimentos. A proximidade com outras fontes de alimentos tais como frutas silvestres e cardunes de peixes também ajudava. Chuva era importante para a irrigação de plantações, mas não exatamente indispensável, graças à tecnologia: Os egípicios inventaram um sistema de irrigação, que coletava água diretamente do Rio Nilo. A proximidade de matérias-primas tais como minérios também era importante, mas não essencial.
As primeiras cidades desenvolveram-se em torno de rios. Antigas civilizações observaram que vales fluviais de clima quente apresentavam várias ótimas condições para a criação de um assentamento permanente. Estes rios incluem o Eufrates e o Tigre, no Oriente Médio, o Amarelo, na China, e o já mencionado Nilo.
A localização geográfica de várias cidades teve grande influência no decorrer da história. Atenas, por exemplo, resistiu bravamente a vários ataques de Esparta antes de ser definitivamente derrotada, porque estava localizada em uma península fortificada, de difícil acesso. Constantinopla tornou-se uma porta de acesso de grande importância entre o Ocidente e o Oriente, na Idade Média. Posteriomente, cidades que localizavam-se próximos à grandes corpos d' água, aliados à sua localização estratégica, tornaram-se grandes centros portuários. Algumas destas cidades incluem Gênova, Veneza e Lisboa durante o Renascimento; Boston, Nova Iorque e Southampton durante a Revolução Industrial; Montreal e Chicago na Idade Moderna, e, em tempos mais recentes, Rotterdam, Hong Kong, Cingapura e Shangai.
Algumas cidades devem sua existência graças à sua proximidade com meios de transportes tais como ferrovias, rodovias, portos e/ou aeroportos. Exemplos incluem Toronto e Chicago. Outras cresceram graças à proximidade de fontes de matéria-prima. Manchester tornou-se um grande pólo industrial no século XVIII graças à proximidade de minérios, e Pittsburgh cresceu drasticamente no século XIX, graças à proximidade de grandes reservas de ferro, tornando-se a capital mundial do aço.
Finalmente, outras cidades devem sua existência ou seu desenvolvimento graças ao seu clima e belezas naturais, atraindo tanto novos habitantes como turistas. Alguns exemplos são Los Angeles, Vancouver e o Rio de Janeiro.
Pré-antiguidade
Durante a pré-história, os homens eram primariamente nômades, movimentando-se de uma região para outra constantemente, em busca de água e alimentos. Entre 13 a 10 mil anos atrás, várias civilizações começaram a dominar a técnica da agricultura e da pecuária. As civilizações que dominaram estas técnicas passaram a estabelecer-se em uma região, em caráter permanente. Assim, as primeiras vilas apareceram - quase sempre em torno de rios e lagos, dado a necessidade de irrigação. A grande maioria dos habitantes de vilas neolíticas trabalhavam na agricultura e na criação de animais domésticos.
A organização destas vilas neolíticas era simples, e não haviam líderes. A pequena população destas vilas, quase nunca acima de mil pessoas, permitiu aos habitantes destas vilas fazer decisões em conjunto. A maioria dos habitantes destas vilas passaram a ficar contra roubos e violência físicas, e aplicando punições aos que cometiam estes crimes. Não existiam leis e líderes. Pessoas de uma dada comunidade respeitavam outros membros da comunidade, esperando em troca serem respeitados. A diferenciação em classes era inexistente.
Entre 8000 a.C e 3500 a.C, algumas destas vilas neolíticas prosperaram, tendo evoluído para pequenas áreas urbanas com alguns milhares de habitantes.
Antiguidade
As primeiras cidades desenvolveram-se na Mesopotâmia, mais especificamente, em torno do Rio Eufrates, em torno de 3500 a.C. Em torno de 2000 a.C, as primeiras cidades começaram a desenvolver-se em torno do Rio Nilo e na China. Tais cidades eram significantemente maiores do que as vilas neolíticas. Estas cidades também dispunham de estruturas mais complexas, inexistentes nestas vilas, como grandes depósitos para estoque de alimentos e templos religiosos. A maioria dos habitantes destas cidades já não trabalhavam mais na agricultura, e sim no artesanato ou no comércio de produtos e serviços em geral.
Organização
As cidades da antiguidade, em geral, não passavam de 10 mil habitantes, e não mais do que 2,5 km2. Porém, algumas delas eram muito maiores. Atenas, no seu apogeu, tinha mais de 150 mil habitantes, espremidos em 10 km2. Roma, durante o apogeu do Império Romano tinha mais de 1 milhão de habitantes. As cidades da antiguidade localizavam-se quase sempre próximos à beira de uma fonte de água potável. Quando estas fontes eram insuficientes, trabalhadores ou escravos traziam água de fontes próximas à cidade. Avanços tecnológicos também ajudaram. Um complexo sistema de aquedutos ajudou Roma a tornar-se uma grande cidade, trazendo água de diversas fontes distantes para a cidade. A maioria das cidades da antiguidade dispunham de um ou mais reservatórios públicos, onde a água potável era armazenada. Estes reservatórios também coletavam água da chuva
Porém, água não era mais o único fator para a localização de uma cidade. Com o aparecimento de guerras entre diferentes povos, proteção também tornou-se um fator importante. Algumas destas cidades localizavam-se em serras de difícil acesso, como Roma e Atenas, por exemplo. A grande maioria das cidades antigas eram cercadas por muralhas. As muralhas de pequenas cidades eram geralmente feitas de madeira, enquanto as muralhas de cidades importantes ou grandes cidades eram feitas de pedras e cimento.
O crescimento populacional nestas cidades começou a criar sérios problemas, quanto ao saneamento básico. A coleta de lixo era inexistente na maior parte das cidades. Habitantes da classe trabalhadora simplesmente jogavam seu lixo nas ruas - geralmente, não pavimentadas. Como consequência, doenças eram muito comuns na época, e a taxa de mortalidade era alta. Este problema era agravado com chuvas - que inundavam as casas da cidade com lama contaminado com lixo. Outras cidades coletavam o lixo das casas e os jogavam fora das muralhas da cidade.
Administração
À medida que antigas vilas rurais cresciam e tornavam-se cidades, maior organização passou a ser necessária. Sistemas governamentais foram criados. Estes eram responsáveis pelo fornecimento de serviços tais como construção de estruturas, tais como muralhas ou templos religiosos, centros de entretenimento populares, a organização do comércio, criação de leis e da defesa da cidade contra ataques inimigos, por exemplo.
Geralmente, as cidades eram governadas por cidadãos da elite. Estes cidadãos atuavam em nome do chefe de estado do império da qual a cidade fazia parte. Algumas cidades, porém, não faziam parte de um país. Nesta categoria, destacam-se as cidades-estados da Grécia antiga, que eram cidades independentes.
Os administradores da cidade cobravam impostos dos habitantes da classe trabalhadora da cidade - artesãos, fazendeiros e comerciantes, por exemplo. Este dinheiro era usado primariamente para o financiamento dos programas da cidade. Porém, em várias cidades, vários administradores gananciosos passaram a roubar parte deste dinheiro para si mesmos, originando assim a corrupção. Geralmente, os cidadãos da classe trabalhadora tinham pouca ou nenhuma voz na administração local. Porém, em Atenas e cidades-estados aliadas, todas as pessoas do sexo masculino, não-estrangeiros e não-escravos tinham o direito de determinar políticas e regras do governo da cidade.
Economia
Inicialmente, as vilas neolíticas e pequenas cidades dependiam basicamente da agricultura. À medida que novos e melhores métodos de cultivo e domesticação e criação de animais surgiam, mais pessoas deixaram de trabalhar na agricultura e foram para as cidades, em busca de trabalho e entretenimento. A maioria tornaram-se artesãos, fabricantes de roupas, calçados e outros suprimentos, que vendiam os produtos fabricados por dinheiro.
A criação de estradas conectando várias cidades e vilas entre si, inovações tecnológicas tais como navios e a roda, que permitiu o surgimento de veículos movidos à tração animal, fez com que a importância da agricultura e a proximidade de minérios fosse reduzida. Os agricultores e criadores de animais passaram a mandar seus produtos até uma feira comercial, onde então eram vendidos. Também vieram os mercantes, comerciantes que vendiam produtos produzidos por outras pessoas. Estes mercantes geralmente compravam produtos de locais distantes, transportando-nos em navios ou em veículos movidos à tração animal até os mercados, onde eram vendidos por altos preços.
Idade Média e Renascimento
Durante a antiguidade, várias das cidades do vasto Império Romano tinham mais de 50 mil habitantes. Algumas chegavam a ter mais do que 350 mil habitantes, como Roma e Atenas, bem como Cartago antes de sua conquista pelos romanos. Em 286, o Império Romano foi dividido em dois. O Império Romano do Ocidente, cuja capital era Roma, logo passou a sofrer constantes ataques dos bárbaros. Estes bárbaros atacaram várias cidades romanas. Lentamente, várias tribos bárbaras ocuparam áreas anteriomente ocupadas pelos romanos, fragmentando o império. Tais tribos bárbaras eram primariamente guerreiros, fazendeiros e caçadores, e tinham pouco interesse no comércio. Eventualmente, o Império Romano do Ocidente acabaria em 476, período na qual a Idade Média têm início.
O intenso medo por parte da população urbana do Império Romano do Ocidente fez com que a maioria dos habitantes destas áreas urbanas na Europa gradualmente migrassem para o campo, mais exatamente em direção aos feudos, que ofereciam proteção. Entre o século III e o século X, a população das cidades européias gradualmente caiu. O comércio entre cidades caiu drasticamente, para somente crescer após o século X, época onde a população das cidades voltou a crescer lentamente. Enquanto isto, a população das cidades do Império Romano do Oriente, bem como várias cidades na China, no Japão e no Oriente Médio, continuou a crescer.
Organização
As cidades européias da Idade Média não mudaram muito em relação às cidades do Império Romano da antiguidade. Eram geralmente pequenas, não possuíndo mais do que 3 km2. A população destas cidades também era muito pequena. Na média, uma cidade medieval típica tinha entre 250 a 500 habitantes. A população de Roma havia caído de 1 milhão para meros 40 mil habitantes no final do século V. Mesmo importantes cidades geralmente não passavam de 50 mil habitantes, isto, até o século X.
A maior cidade do continente durante as primeiras décadas da Idade Média foi Veneza, com seus 70 mil habitantes, que cresceram para os 100 mil em 1200. Paris, então, já ultrapassara Veneza, tendo alcançado os 150 mil habitantes. Londres tornaria-se a maior cidade européia no Renascimento. Em outros continentes, algumas cidades eram maiores. Hangzhou e Shangzhou, ambos na atual China, tinham respectivamente 320 e 250 mil habitantes. Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, tinha entre 200 a 300 mil habitantes em 1500.
Nas cidades da Europa Ocidental, a Igreja Católica Romana teve grande influência na arquitetura e organização destas áreas urbanas. Estas cidades dispunham de uma igreja - que era geralmente a estrutura mais alta e cara da cidade, construída sob os padrões do estilo gótico - no centro da cidade. Edifícios governamentais e as casas da elite localizavam-se próximos à igreja, e a classe pobre, próximos às muralhas.
Como em cidades da antiguidade, geralmente, o lixo era despejado diretamente na rua. Por causa disso, e também por causa da alta densidade populacional, ora ou meia grandes epidemias mataram uma grande quantidade de pessoas. A peste negra matou 40% da população de Constantinopla e 25 milhões de pessoas em toda Europa. Entre o século XIV e o século XIX, a peste negra matou mais de 350 milhões de pessoas na Europa e na Ásia, a maioria, moradores urbanos.
As muralhas das cidades limitavam o espaço das cidades medievais. Prédios de três a seis andares passaram a ser construídos para resolver o problema da falta de espaço. Quando a população da cidade crescia, a alta densidade populacional tornava-se um grave problema nestas cidaes. Algumas cidades resolveram este problema através da expansão das muralhas - via demolição e reconstrução. Outras simplesmente deixavam as muralhas de pé e construíam novas cidades nas proximidades.
As grandes cidades da Europa Ocidental como Veneza, Florença, Paris e Londres atraíam pessoas de várias etnias. Estas pessoas instalavam-se geralmente em um bairro povoado majoritamente por pessoas do mesmo grupo étnico. Vários destes bairros eram cidades em miniatura, com seus próprios mercados, reservatórios de água e igrejas ou sinagogas. Isto limitou conflitos entre pessoas de diferentes etnias e religiões, porém, também limitou a troca de idéias. Alguns bairros, chamados de guetos , eram usados para abrigar pessoas consideradas indesejáveis, tais como os judeus, por exemplo.
A população das cidades da Europa Ocidental passou a crescer após o século X. Ao mesmo tempo, o Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino foi gradualmente sendo conquistado pelo Império Otomano. Em 1457, a capital do Império Bizantino, Constantinopla, foi conquistada pelos otomanos. A população de importantes cidades bizantinas como Constantinopla, Atenas e Tessalónica cairia gradualmente nos próximos séculos.
Administração
Na Europa Ocidental, o feudalismo desenvolveu-se ao longo dos primeiros séculos da Idade Média. Reinos continuaram a existir, porém, estes estavam divididos em várias secções chamadas de feudos. As cidades continuaram a fazer parte de um dado país, mas o Rei deste reino tinha o controle apenas sob as áreas que eram de sua propriedade, e não sob seu reino. Isto efetivamente diminuiu muito o poder destes chefes de estado. Uma dada cidade era de facto governada pelo dono - um Senhor ou um um bispo, membro da Igreja Católica - do feudo onde a cidade estava localizada.
No século XI, com o crescimento populacional e do comércio, a burguesia em crescimento destas cidades começaram a ressentir o forte controle dos senhores feudais nas cidades. Em várias cidades, a buguersia lutou contra os senhores feudais pelo direito da administração da cidade. Em algumas, estas lutas foram bem-sucedidas - especialmente na península itálica. Em Milão, Florença e Veneza, os cidadãos - homens não-estrangeiros - podiam votar na escolha de cônsules, que governavam a cidade. Estes tipos de eleições espalharam-se pela Europa Ocidental, especialmente na atual França. As cidades continuaram a possui um alto degrau de independência, onde cidadãos criavam leis e apontavam seus oficiais. Eventualmente, durante o século XIV e o século XV, os governos dos reinos da Europa Ocidental passaram a gradualmente serem solidificados em torno do chefe de estado, o Rei. A autonomia destas cidades declinou, e mesmo a importância de grandes cidades-estados como Veneza, Gênova e Lübeck, caiu drasticamente.
No Oriente e em civilizações avançadas na América, o governo de impérios e reinos continuou centralizado nas mãos de um Imperador ou Rei. Estes geralmente escolhiam os administradores das cidades. Uma exceção foi Sakai, uma cidade japonesa que desfrutou de um alto degrau de autonomia durante o fim da Idade Média.
Economia
O sistema econômico de feudalismo dividiu a terra entre vários senhores feudais, onde os vassalos trabalhavam, em troca de proteção. Este sistema entrou em decadência no século X. Vários destes vassalos migraram então para as cidades, com alguns tornando-se artesãos ou mercantes, e outros fazendeiros em terras próximas à cidade, e vendendo seus produtos diretamente no mercado da cidade. O crescimento do comércio entre as cidades e a migração de pessoas do campo para a cidade foram duas importantes razões que contribuíram para o crescimento populacional das cidades após o século X.
Artesãos, auxiliados por avanços tecnológicos e pela invenção de novos produtos como pólvora, barril e relógios, por exemplo, conseguiam criar e vender cada vez mais produtos em um dado espaço de tempo. Os mercantes, auxiliados pela estimulação do comércio inter-urbano, também prosperaram. Tanto artesões quanto mercantes formaram uma nova classe econômica - a classe média. Porém, ainda assim a maioria da população das cidades viviam na pobreza, trabalhando muito e ganhando pouco, morando em casas super-lotadas e em péssimas condições sanitárias.
Era moderna
As cidades - e a vida urbana - não mudaram muito com a chegada do Renascimento, mesmo com o gradual crescimento populacional das cidades. Porém, durante o século XVIII, a Revolução Industrial teve início, com a invenção da máquina a vapor, e de outros equipamentos industriais. Este período perdurou até o final do século XIX nos países desenvolvidos. Inúmeras cidades européias e americanas mudaram drasticamente por causa da Revolução Industrial, tornando-se grandes centros industriais.
Várias grandes cidades localizadas em países em desenvolvimento - localizados na Ásia, América Latina e África - começaram a industrizar-se a partir do final do século XIX em diante. Algumas destas cidades tornaram-se grandes centros industriais, tais como a Buenos Aires, Cidade do México, Shangai e São Paulo.
Organização
A industrialização das cidades causou grandes mudanças na vida urbana. Produtos que artesãos levavam horas para fazer eram produzidas em questão de minutos nas fábricas, ainda mais, em grande quantidade, e a preços mais baixos. Os artesãos passaram a ter dificuldade em encontrar clientes, e muitos deles desistiram de seus negócios.
A população das cidades industrializadas cresceu bastante. Isto ocorreu por causa de duas razões. A primeira razão eram as altas taxas de crescimento populacional da época. A segunda, e principal razão, eram o grande número de agricultores que deixavam os campos e foram em direção das cidades. Estes saíram dos campos porque avanços tecnológicos na área da agropecuária reduziram a importância de agricultores. Outros foram às cidades simplesmente em busca de uma vida melhor. Tais pessoas - homens, mulheres e mesmo crianças - trabalhavam nas fábricas nas cidade. Estas pessoas moravam em bairros próximos às fábricas.
O crescimento de algumas cidades em especial destacam-se pelo seu grande crescimento. Manchester tinha apenas 4 mil habitantes em 1790. Seis décadas depois, a cidade alcançaria os 350 mil habitantes. Chicago tinha 4,5 mil habitantes em 1840. Em duas décadas, em 1860 a população saltou para 112 mil habitantes. Em 1880, a população da cidade alcançou 500 mil habitantes, dobrando na década seguinte. A maior cidade durante 1825 até o fim do século XIX foi Londres. Tóquio era anteriomente a cidade mais populosa do mundo.
As condições sanitárias da cidade industrial típica da década de 1830 eram péssimas. Elas geralmente não dispunham de abastecimento de água e esgoto - nem mesmo nos bairros onde as casas e apartamentos da burguesia e da elite estavam localizadas. Gradualmente, tais serviços foram instituídos nas cidades, primeiramente nos bairros da elite e da burguesia, ao longo do século XIX. Somente posteriomente, já no início do século XX, os bairros da classe trabalhadora passaram a receber estes serviços. Isto, nos países desenvolvidos. Mesmo hoje, várias cidades industriais em países em desenvolvimento não possuem estas instalações.
A poluição tornou-se um grande problema nas cidades industrializadas. A falta de instalações sanitárias adequadas e a poluição fizeram com que as taxas de mortalidade das cidades industriais tornasse muito alta. A industrialização da grande maioria das cidades ocorreu de modo totalmente desorganizado. Fábricas eram construídas em diversas áreas da cidade, e bairros residenciais eram construídos por perto.
Administração
O rápido crescimento dos problemas urbanos - pobreza, poluição, desorganização - durante os anos do século XVIII e do século XIX forçaram países e cidades a tomarem medidas para tentar minimizar estes problemas. Durante o final do século XIX, leis trabalhistas foram aprovadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, com o intuito de proteger a classe trabalhista - que até então trabalhavam sem direitos. Entre outras medidas, estas leis proibiam o uso do trabalho infantil nas fábricas. Outras medidas como melhorias na assistência médica e hospitalar para a classe trabalhista, fornecimento de abrigos e comida aos desempregados também foram tomadas.
Além disso, os sérios problemas causados pela desorganização e pela poluição levaram, eventualmente, nos Estados Unidos e na Europa, à adoção de políticas de planejamento urbano, tais como leis anti-poluição, construção de estradas e a implementação de um sistema de transporte público (tais como linhas de ônibus e metrô) e zoneamento.
Economia
A indústria tornou-se a principal fonte de renda das grandes cidades do século XVIII e do século XIX. Fábricas ocuparam o lugar que anteriomente pertenciam aos artesãos, produzindo os mesmos produtos, de forma mais rápida, fácil, e que eram mais baratos. Grandes números de artesãos ficaram desempregados. Vários deles foram obrigados a trabalhar em fábricas para sustentar-se.
O comércio inter-urbano tornara-se mais forte do que nunca. Grandes quantidades de produtos industrializados, fabricados em uma cidade, eram transportados em trens e navios a vapor até outras cidades.
O imenso custo da construção e manutenção das fábricas, e da obtenção de matéria-prima, foram um dos motivos da ascenção do capitalismo, onde bancos e investidores, através de empréstimos e parcerias econômica, ajudavam a cobrir os custos da construção e manutenção destas fábricas. Várias cidades tornaram-se grandes centros bancários e financeiros, como Londres, Paris, Nova Iorque, Montreal e Chicago.
1900 - Tempos recentes
As cidades cresceram mais do que nunca no século XX. Em 2000, aproximadamente 2 900 cidades dispunham de mais de cem mil habitantes, e destas, 225 dispunham de mais de um milhão de habitantes. Aproximadamente 40% da população mundial vivem em cidades atualmente. São duas as principais razões deste grande crescimento populacional. A primeira foi a queda nas taxas de mortalidade, gerada após inovações na área da medicina e de leis contra indústrias poluentes, bem como maior reorganização da cidade através da implementação de leis de zoneamento e de planejamento urbano.
A segunda razão foi a grande migração da população rural para as cidades, provocada por avanços tecnológicos na agropecuária e pela diversificação da economia urbana. Esta migração, chamada de êxodo rural, foi mais acentuado nos países em desenvolvimento. Diferentes cidades nos países em desenvolvimento industrializaram-se durante o século XX, atraindo grandes quantidades de pessoas não somente do campo como de outras cidades, que buscam por melhores condições de vida. Exemplos notáveis incluem São Paulo, Buenos Aires, Cidade do México, Shangai e Seul.
O grande crescimento populacional das cidades foram as causas principais do aparecimento das regiões metropolitanas, isto é, cidades diferentes que estão divididas entre si através de fronteiras políticas, mas que, economicamente, demograficamente, socialmente e culturalmente, formam uma única área urbana. Todas as grandes cidades do mundo atualmente são metrópoles.
Quanto à qualidade de vida, a maioria dos habitantes das grandes cidades dos países desenvolvidos desfrutam de um alto padrão de qualidade de vida, graças à implementação de leis trabalhistas, políticas de planejamento urbano, implementação de serviços policiais e de bombeiros, e da economia em crescimento destes países. As cidades em países industrializados em desenvolvimento, por outro lado, ainda enfrentam problemas como pobreza e péssimas condições de vida, além de altas taxas de criminalidade.
Veículos motorizados ajudaram no desenvolvimento das cidades. O automóvel permitiu para milhões de pessoas viver longe do local de trabalho, escolas e de centros comerciais. Atualmente, existem cerca 520 milhões de automóveis no mundo, a maior parte deles operando nas cidades.
Atualmente
Geografia
Atualmente, as grandes cidades são muito maiores do cidades de tempos passados. Um exemplo é Paris. Em 1400, Paris tinha 225 mil habitantes e 8 km² de área. Atualmente, a cidade possui 2.3 milhões de habitantes e 105 km², sendo que sua região metropolitana possui mais de 8.5 milhões de habitantes e 479 km² de área.
Nos Estados Unidos da América e no Canadá, o padrão mais comum das vias públicas é o sistema de gradeamento, isto é, as ruas correm paralelas entre si, com outras ruas paralelas cortando-nas perpendiculamente. O sistema de grade também foi usado por milhares de anos na China. Já em cidades européias, bem como na maioria das cidades que não planejaram de antemão seu sistema de vias públicas, ruas e avenidas espalham-se desorganizadamente pela cidade. Muito das muralhas que anteriomente cercavam as antigas cidades européias deram lugar à modernas vias públicas da alta capacidade.
A maioria das grandes cidades possui um centro econômico, onde bancos, instituições financeiras, sedes de grandes companhias e shopping centers estão localizadas. Pessoas de todas as partes da cidade (bem como de cidades vizinhas também) vão ao centro financeiro trabalhar diaramente. Este centro ocupa uma pequena área, no entretanto, milhares de pessoas trabalham ali. A cidade de Londres, por exemplo, possui 2.90 km² e 8 mil habitantes permanentes. No entanto, mais de 300 mil pessoas de outros cantos da região metropolitana vão à Londres trabalhar diaramente. Isto porque a maioria destas instituições financeiras e políticas estão localizadas em arranha-céus.
Administração
Atualmente, as prefeituras - como são nomeadas as instituições políticas modernas encarregadas de administrar a cidade - de grandes cidades são grandes e complexas organizações, que empregam milhares de pessoas. A prefeitura é responsável pelo planejamento da cidade. Outras tarefas variam de país a país. Geralmente, as prefeituras encarregam-se de fornecer transporte público, instituições educacionais tais como escolas, bibliotecas e universidades, policiamento e cobertura contra incêndio.
Além disso, as prefeituras precisam monitorar diversos cantos da cidade, buscando por áreas e estruturas com problemas, e, após isto, adotar medidas que ajudem a solucionar estes problemas, como demolição de estruturas velhas, construção de linhas de metrô e de mais vias públicas, por exemplo.
A terceira e última responsabilidade da prefeitura é pressionar o governo (nacional, estadual, provincial, entre outros) por verbas, uma vez que a grande maioria das cidades não gera verbas suficientes somente através da coleta de impostos municipais.
Economia
Atualmente, a economia das cidades no geral é altamente diversificada, variando de cidade para cidade. É certo que a economia das cidades nunca baseia-se somente em uma dada área, no entanto, a economia de várias cidades estão baseadas enormemente nesta dada área. Algumas ainda dependem muito, por exemplo, da agricultura e da pecuária, tais como Saskatoon. A economia de grandes cidades tende a ser mais diversificada, mas isto nem sempre acontece.
Em cidades de grande porte, a indústria de manufaturação é quase sempre uma das principais fontes de renda - se não a principal - gerando milhares de empregos. Porém, a indústria de manufaturação já não é a maior fonte de renda da maioria das grandes cidades - tendo perdido esta posição para o setor terciário.
Em várias grandes cidades, milhares de pessoas trabalham diaramente em escritórios e instituições financeiras. Cidades tais como Nova Iorque, Tóquio, Londres, Paris e Hong Kong são grandes pólos financeiros. Em outras cidades, é o setor comercial - venda de produtos e fornecimento de serviços - a principal fonte de renda. As vendas deste setor são ajudadas pelo turismo - a economia de algumas cidades tais como Roma, Quebeque e Foz do Iguaçu dependem enormemente do turismo.
Várias cidades possuem uma economia altamente diversificada - onde todas as áreas acima possuem aproximadamente a mesma importância - estando menos vuneráveis à recessões econômicas. Exemplos incluem Chicago e Toronto, por exemplo.
Regiões metropolitanas
Uma região metropolitana é um grande centro populacional, que consiste em uma (ou, às vezes, duas ou até mais) grande cidade central, cercada de subúrbios, isto é, várias cidades adjacentes, dentro da zona de influência da cidade central. Por exemplo, São Paulo é uma cidade central, com Guarulhos, Osasco e outras cidades adjacentes sendo subúrbios de São Paulo.
Cidades globais
Uma cidade global, ou também world city, é um grande centro bancário, comercial, financeiro, político e industrial. O termo "cidade global" - não confundir com "megacidade" - foi inventado pela socióloga Saskia Sassen em um seminário em 1991. Enquanto que a expressão "megacidade" refere-se à uma cidade ou área urbana de grande tamanho, uma cidade global possui grande influência a nível regional, nacional e internacional. Cidades globais, segundo Sassen, possuem mais características semelhantes entre si do que com outras cidades do mesmo país. Bruxelas, Chicago, Cingapura, Hong Kong, Londres, Madri, Milão, Moscou, Nova Iorque, Paris, Seul, San Francisco, São Paulo, Shangai, Sídnei, Tóquio, Toronto e Washington DC são comumente chamadas de cidades globais, embora este termo aplique-se também a outras cidades.
A noção de cidade global vê uma cidade como um contâiner onde habilidades e recursos estão concentrados. A cidade mais bem-sucedida é aquela capaz de concentrar o máximo possível destas habilidades e recurisos. Isto torna uma cidade suficientemente poderosa para influenciar o que acontece em torno do mundo.
Críticos da noção alegam para a ambiguidade da expressão "poder". Em uma cidade global, poder significa primariamente poder econômico e/ou político. Cidades como Roma ou Jerusalém são poderosos em termos religiosos.
Em 1995, Kanter argumentou que cidades bem-sucedidas podem ser identificadas através de 3 elementos. Para ser bem-sucedida, uma cidade precisa de bons pensadores (conceitos), bons fazedores (competência) e/ou de bons comerciantes (conexões). A combinação destes 3 elementos significa que, segundo as idéias de Kanter, que boas cidades não são planejadas mas sim controladas.
Problemas
Problemas socio-econômicos
Os principais problemas socio-econômicos que as cidades enfrentam são crimes em geral, pobreza e atritos entre diferentes grupos étnicos.
A criminalidade - aqui incluído também a deliquência juvenil, o alcoolismo e o tráfico e consumo de drogas - não ocorrem somente nas cidades. Porém, estes problemas afetam vários habitantes das cidades, que nada têm a ver com estes atos criminosos. A pobreza está associada em grande parte com vários destes crimes. Pessoas que não possuem como sustentar-se a si próprio e que são negligeciadas pela sociedade às vezes recorrem ao crime como meio de sustentação, roubando, sequestrando e/ou traficando drogas.
Pessoas com problemas - dos mais variados tipos, tais como problemas econômicos, familiares, trabalhistas, etc - podem recorrer ao alcoolismo e/ou o consumo de drogas como uma válvula de escape aos seus problemas. Muitos jovens problemáticos fogem de casa, cansados da autoridade familar. Às vezes fogem por causa de abusos sofridos, e às vezes fogem por causa que simplesmente cansaram da vida familiar. Muitos destes jovens acabam por recorrer às drogas, ao álcool e/ou crime.
Maior policiamento e cumprimento das leis poderia reduzir as taxas de criminalidade. Porém, estas taxas irão continuar se os problemas que causam os crimes não são solucionados. O principal problema é a pobreza, mas também pode ter raízes culturais. As cidades sul-africanas possuem as taxas de estupro, roubo e assassinato do mundo. Muito destes crimes acontecem por causa de atritos entre as diversas etnias do país, como os Zulu, os Xhosa e descendentes de europeus. Certos grupos governamentais e não-governamentais tentam minimizar estes problemas.
Desde a antiguidade, as cidades têm se destacado como pólo onde pessoas de diferentes etnias se encontram. Às vezes, estes grupos étnicos se relacionam bem entre si. Em outras, como no exemplo da África do Sul mencionado acima, grupos étnicos com diferentes culturas estranham, não confiam, vêem como inferiores e/ou têm medo de outras etnias. Tais atitudes causaram violência entre diferentes grupos étnicos desde a antiguidade. Alguns exemplos atuais são conflitos entre negros e brancos na África do Sul e nos Estados Unidos, católicos e protestantes na Irlanda do Norte e de hindus e mulçumanos na Índia e no Paquistão.
A pobreza é um dos maiores problemas enfrentados pelas cidades. Mesmo nos países desenvolvidos, onde a maioria dos habitantes da cidade usufruem de um alto nível de qualidade de vida, parte dos habitantes das cidades estão abaixo da linha da pobreza. Este problema data desde os primórdios da antiguidade.
Na imensa maioria das cidades dos países em desenvolvimento - aqui incluindo-se o Brasil - os bairros da classe média e da elite estão situdados no núcleo urbano da cidade, com bairros pobres e favelas situados nos limites da cidade. Já nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Irlanda, acontece exatamente o contrário, onde o núcleo urbano (inner city) possui altas taxas de criminalidade e concentra os guetos e bairros da classe pobre, com a maioria das residências da elite situadas nos subúrbios. Em outros casos, como Toronto, bairros pobres intercalam-se juntamente com bairros ricos. Em todo caso, a maior parte das melhores instituições educacionais, hospitalares e boas oportunidades de trabalho situam-se próximos aos bairros ricos. Pobreza é causada principalmente por falta de oportunidades de trabalho (desemprego) e falta de educação adequada, e esta segregação urbana impede que o problema da pobreza seja resolvido mesmo a médio ou longo prazo.
Em muitas cidades nos países em desenvolvimento as pessoas não têm como arcar com os custos de manutenção ou aluguel de residências, tendo que morar na rua ou em bairros informais chamados favelas. Países em desenvolvimento muitas vezes fornecem abrigos aos sem-teto. Mesmo assim, muitos destes abrigos estão em péssimas condições.
Certos grupos governamentais e não-governamentais - especialmente nos países desenvolvidos - tentam minimizar o problema da pobreza e da falta de abrigo através do fornecimento de oportunidades de trabalho, instalações educacionais adequadas e ajuda financeira.
Problemas ao meio ambiente
Sabe-se atualmente que cidades - especialmente grandes áreas urbanas - criam seus próprios microclimas. Isto acontece por causa da grande extensão da superfície de certos materiais, do gênero do concreto, asfalto e cimento. Estes materiais absorvem muito da energia solar. Isto faz com que a cidade seja mais quente do que a região rural próxima à cidade.
A maioria das grandes cidades possuem um grande problema: a poluição atmosférica. As cidades às vezes geram tanta poluição que o ar torna-se saturado com a poluição, criando uma névoa espessa, de cor cinzenta. A poluição atmosférica, gerada por fábricas e veículos motorizados, é uma séria ameaça à saúde dos habitantes de uma dada cidade. Leis anti-poluição possuem o poder de regular as emissões de gases poluentes das fábricas e carros, e são uma possível solução quanto à poluição. A construção de linhas de metrô e de melhorias nos sistemas de transporte público urbano também são outras opções, em substituição a vias expressas.
Esgoto e dejetos industriais continuam a poluir muitos rios, lagos e outros corpos d' água. A poluição de rios e lagos destroem a fauna e flora da região e contaminam praias que poderiam ser usadas como recreação.
O lixo é outro grande problema. Várias cidades têm tido dificuldade em se livrar de seu lixo. A quantidade de lixo que vai para os aterros sanitários cresce com o tempo, mas os aterros sanitários enchem-se cada vez mais rapidamente, e outros lugares para se dispor do lixo são cada vez mais difíceis de se encontrar, devido à oposição de moradores próximos e de ambientalistas.
Problemas governamentais
Desde que as primeiras instituições administrativas surgiram com o intuiro de administrar cidades, desde os primórdios da história da urbanização, a tarefa destas instituições têm se tornado cada vez mais complexa ao longo do tempo. Atualmente, é responsabilidade da prefeitura - como estas instituições são chamadas atualmente - reparar antigas construções, renovar áreas urbanas em decadência, administrar instituições de educação, fornecer policiamento e minimizar os problemas que afligem a cidade.
O contínuo crescimento populacional das cidades torna a tarefa das prefeituras das grandes cidades difícil - especialmente quando a percentagem de pobres aumenta na cidade. Quando isto acontece, as prefeituras precisam fornecer assistência social para um número maior de pessoas. Além disso, estas pessoas, por serem pobres, pagam poucos impostos para a prefeitura. Dois exemplos são São Paulo e Rio de Janeiro, que receberam grandes quantidades de nordestinos - a maioria com pouca ou nenhuma educação - entre a década de 1950 e a década de 1990.
Este problema piora quando famílias de classe média e alta começam a sair da cidade - por causa de criminalidade e pobreza, por exemplo - mudando-se para os subúrbios. Em vários casos, estas pessoas continuam a trabalhar na cidade na qual eles moravam anteriomente, no centro comercial. Porém, em todo caso, estas pessoas já não pagam impostos para a prefeitura da cidade onde eles moravam. Esta migração da classe média e alta acontece primariamente nas inner-cities - exemplos conhecidos são Denver e Chicago. A prefeitura de uma cidade também sofre quando fábricas mudam-se em direção à outras cidades como cidades vizinhas, atraídas por impostos mais baixos.
As prefeituras precisam de dinheiro para arcar com suas responsabilidades. Muito deste dinheiro vêm de impostos municipais, isto é, instituídos pela prefeitura, e válidos dentro da cidade. Porém, somente os impostos não são suficientes. As cidades também precisam de verbas, seja do governo nacional ou de outra entidade tal como o estado ou província onde a cidade está localizada.
Futuramente
Sociólogos e urbanistas acreditam que as regiões metropolitanas continuarão a crescer em área e população nas próximas décadas. Este efeito será significantemente maior nos países em desenvolvimento - cuja população ainda está em rápido crescimento - do que nos países desenvolvidos. Em 2000, cerca de 3,1 bilhões de pessoas viviam em cidades. Em 2010, estima-se que cidades irão abrigar mais de 4 bilhões de pessoas no mundo todo. Somente nos Estados Unidos, mais de 187 milhões de pessoas viviam em cidades em 1990, enquanto que em 2010 estima-se que o número de pessoas vivendo em cidades nos Estados Unidos será de 225 milhões. Também espera-se um grande aumento das taxas de urbanização do mundo, especialmente nos países em desenvolvimento.
Ligações externas